O Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM) da União Europeia entrou em sua fase operacional definitiva em 1º de janeiro de 2026, marcando o primeiro imposto de fronteira de carbono totalmente funcional no mundo. Importadores de cimento, ferro e aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio devem adquirir certificados CBAM vinculados aos preços do Sistema de Comércio de Emissões (EU ETS), com o primeiro preço trimestral fixado em €75,36 por tonelada de CO₂ equivalente. Na primeira semana, mais de 12.000 operadores solicitaram autorização e 4.100 obtiveram status de declarante autorizado, segundo a Comissão Europeia.
O que é o CBAM da UE e como funciona?
O CBAM evita o vazamento de carbono ao garantir que bens importados paguem um custo de carbono equivalente ao dos produtores da UE no EU ETS. Cobre seis setores: cimento, ferro e aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio. Importadores de mais de 50 toneladas anuais devem se registrar, comprar certificados e entregá-los anualmente. Se um preço de carbono já foi pago no país de origem, pode ser deduzido. O regime definitivo segue uma fase transitória (out. 2023–dez. 2025). O mecanismo de precificação de carbono do EU ETS serve de referência.
Grande Onda de Conformidade na Primeira Semana
Entre 1º e 7 de janeiro, as autoridades validaram 10.483 declarações para 1,66 milhão de toneladas. Ferro e aço representaram 98% das importações. Principais exportadores: Turquia, China, Índia, Canadá, Taiwan e Vietnã.
Setor Siderúrgico Enfrenta Custo Anual de €12 Bilhões
O setor de ferro e aço enfrenta custos de conformidade superiores a €12 bilhões em 2026. Importadores com alta emissão podem pagar €40–60 extras por tonelada. A metodologia de valor padrão do CBAM penaliza quem não fornece dados verificados, com majorações de 10% em 2026 a 30% em 2028. 92% da demanda projetada até 2035 virá da Ásia, Europa e MENA. A China enfrenta custos de €6–9 bilhões anuais.
Efeitos Globais: Políticas Recíprocas Emergem
O CBAM desencadeou propostas similares globalmente. O Reino Unido lançará seu CBAM em jan. 2027. Canadá, EUA, Austrália e Turquia também desenvolvem mecanismos. A tendência de convergência global de precificação de carbono indica que o CBAM pode ser modelo para políticas climáticas comerciais.
Vantagens para Produtores de Baixa Emissão
Importadores buscam fornecedores de baixo carbono. O setor siderúrgico turco, que usa 70% de forno elétrico a arco, pode ganhar vantagem com investimento em MRV. Um investimento de €2 milhões pode ter retorno em meses.
Perspectivas de Especialistas
"O CBAM é uma mudança global para o comércio intensivo em carbono", disse um alto funcionário da Comissão Europeia. Analistas da Fastmarkets afirmam: "Importadores sem dados verificados enfrentarão penalidades que tornam seus produtos não competitivos."
FAQ: CBAM da UE em 2026
Qual é o preço do certificado para o 1º trimestre?
€75,36/tCO₂, com base na média dos leilões do EU ETS.
Quais produtos são cobertos?
Cimento, ferro e aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio. Expansão para downstream até 2028 e todos os setores ETS até 2030.
Quem precisa cumprir?
Importadores de mais de 50 t/ano devem se registrar, comprar certificados e declarar anualmente.
Posso deduzir carbono pago no exterior?
Sim, se o sistema do país terceiro atender aos critérios da UE.
Qual o prazo da primeira declaração?
31 de maio de 2027 para importações de 2026, com certificados a partir de fev. 2027.
Perspectivas Futuras
A UE expandirá o CBAM para 180 produtos downstream até 2028 e todos os setores ETS até 2030. As licenças gratuitas serão eliminadas até 2034. A futuro dos ajustes de fronteira de carbono dependerá da cooperação internacional e da transição dos países em desenvolvimento.
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